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Haiti,depois de te conhecer escreverei assim: Aí iti !

As malas que foram abertas na chegada
Não traziam dentro a tristeza de seus olhos nem a violência de sua voz.
Seu sol que bronzeava nossa pele e cozinhava as frutas vendidas nos carrinhos amontoados em suas ruas;
Junto com seu povo urgia um vento, uma inesperada brisa para refrescar aquele dia igual a qualquer outro naquelas bandas de lá.

cuba_e_haiti_2009_013Gente demais...
Atravessando a fronteira,
Gente demais em cima das caminhonetes Tap-Tap
Gente demais caminhando, correndo, vendendo, conversando...
Gente demais sem sorriso no rosto, sem esperança nos olhos,
Gente demais em um lugar com fome demais.

Meninas com seus vestidos de cetim branco e fitas amarradas no cabelo
caminham pelas ruas...
Lixo e mais lixo e mais lixo...
Nesta rua de lixo tem um pouco de comida,
tem um pé de calçado furado,
tem jumentos moribundos esperando a noite chegar...
Cortam o Rio Massacre atravessando a fronteira pra chegar do lado de lá.

Do lado de lá tem energia,
Internet, telefone, tem posto de gasolina, tem casas com banheiro,
Tem também gente, mas do lado de lá também tem comida.

Ai iti; de volta ao Brasil trago você comigo, não em minha mala, mas em meu coração.
Ai iti; quem ajuntará você como a galinha ajunta seus filhotes debaixo de suas asas...
Quem se importará com seu povo, sua gente, com os dias do presente e do futuro de sua nação...
Ai iti; até quando dedicará seus líderes ao príncipe do mal e entoará seus cantos e tambores para adorá-Lo.
Você já sofreu demais;
Ai iti seu lamento é minha oração, seu sofrimento minha angústia, sua sequidão minha oportunidade de levar até ti a Água viva.

Martha Dantas
Diretora Executiva-Ministério Together
/ Texto escrito quando voltou do Haiti (Set 2009)

 
Timor LesteNossos Últimos 20 Anos... 

 Era noite de quarta-feira e eu tinha saído para buscar uma máquina de costura na casa de uma senhora Timorense. Fui dirigindo o "carro vermelho tomate" da JOCUM  e depois de pouco  tempo estávamos descendo uma rampa num terreno escuro, chegando assim na casa daquela  senhora.

vendendo_oferenda_indiaDESABAMOS...   

Hoje andamos pelas ruas desta cidade de 18 milhões de habitantes. Leprosos por todos os lados... gente com fome, gente levando suas oferendas... outros  entoando mantras esperando que numa próxima vida a vida seja diferente. Templos hinduistas cheios... gente cheia de fé e uma nação tão vazia de vida. Nossos olhos viram cenas de uma realidade impressionante... Nosso coração desmoronou.

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